Apesar de ser uma doença que atinge milhões de brasileiras, a endometriose ainda é cercada de desinformação, diagnósticos tardios e, muitas vezes, negligência médica. Estima-se que 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva sofra com a doença, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A endometriose ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste o útero — cresce em locais fora dele, como ovários, trompas, bexiga e intestino. Esse tecido reage aos hormônios do ciclo menstrual, causando inflamação, dor intensa e, em alguns casos, infertilidade.
Nossa equipe conversou com o médico residente em ginecologia obstétrica Rafael Segato, que nos esclareceu algumas dúvidas, mitos e verdades sobre a doença.
Sintomas que não devem ser ignorados
As manifestações da endometriose variam de mulher para mulher, mas os sintomas mais comuns incluem:
- Cólica menstrual intensa e incapacitante;
- Dor durante a relação sexual;
- Sangramentos irregulares;
- Dor ao urinar ou evacuar durante o período menstrual;
- Dificuldade para engravidar.
Muitas mulheres convivem com essas dores por anos acreditando ser “normais”, o que atrasa o diagnóstico — que pode levar de 7 a 10 anos em média. Segundo especialistas, o tabu em torno da menstruação e a banalização da dor feminina contribuem para esse atraso.
Causas e fatores de risco
As causas exatas da endometriose ainda não são totalmente compreendidas, mas há hipóteses. Entre elas estão fatores genéticos, imunológicos e hormonais, além de menstruação retrógrada — quando o sangue menstrual retorna pelas trompas e se deposita em outros órgãos. Mulheres com histórico familiar da doença têm até sete vezes mais chances de desenvolvê-la.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito com base nos sintomas e exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética pélvica, que permitem identificar lesões e aderências.
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e pode incluir uso de anticoncepcionais, hormonioterapia, analgésicos e, em casos mais graves, cirurgia laparoscópica para remoção dos focos da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, a endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina, mas com tratamento adequado, até 60% das mulheres conseguem engravidar naturally ou com ajuda de reprodução assistida.
Quando a dor ganha voz: exemplos de superação
Famosas têm usado sua visibilidade para dar luz ao tema. A apresentadora Giovanna Ewbank e a atriz Larissa Manoela já revelaram ter enfrentado o diagnóstico e precisado de tratamento. Anitta, que passou por uma cirurgia para tratar endometriose em 2022, foi uma das vozes mais ativas na conscientização sobre a doença: “A dor era tão forte que eu desmaiava. Eu achava que era normal sentir isso todo mês”, declarou a cantora em entrevista.
Esses relatos ajudaram milhares de mulheres a buscar atendimento médico e identificar os sintomas precocemente.
Conscientização e empatia salvam vidas
Além do tratamento médico, a escuta atenta e o acolhimento são essenciais. Casos recentes de negligência médica chamaram atenção no Brasil, em que mulheres com endometriose foram tratadas como se estivessem passando por aborto espontâneo, levando a quadros de hemorragia grave e até morte. Esses episódios evidenciam a urgência de formação continuada para profissionais de saúde e de campanhas públicas de conscientização sobre a doença.
Prevenção e qualidade de vida
Embora não exista uma forma definitiva de prevenção, adotar hábitos saudáveis — como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e acompanhamento ginecológico periódico — ajuda a reduzir inflamações e aliviar os sintomas.
A endometriose é uma doença crônica, mas diagnosticada precocemente e tratada com seriedade, permite uma vida plena e sem limitações. O importante é não silenciar a dor e procurar ajuda médica diante dos primeiros sinais.
📍Dado importante: estima-se que mais de 7 milhões de brasileiras convivam hoje com a endometriose, mas cerca de 60% delas ainda não foram diagnosticadas oficialmente.
Mas o cuidado e a informação são sempre nossos maiores aliados.
Reportagem: Lilian Calixto
Imagens: Rhayza Barros
Direção: Bianca Feitosa
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